Energia solar

Fio B em 2026: energia solar ainda vale a pena para empresas?

Usina solar de 109 kWp no telhado de uma loja em Santa Cruz, Rio de Janeiro, instalada pela Easy Power

Resposta direta: sim, na maioria dos casos, mas a conta mudou. Em 2026, sistemas de geração distribuída pedidos depois de 7 de janeiro de 2023 deixam de compensar 60% do Fio B sobre a energia injetada na rede. Empresas que consomem a energia no mesmo horário em que geram, como comércio e indústria diurnos, são as menos afetadas, porque o consumo simultâneo não passa pela compensação.

O que é o Fio B?

O Fio B é a parte da tarifa que remunera a distribuidora pelo uso da rede de distribuição. Ele não aparece com esse nome na conta: está dentro da TUSD, a tarifa de uso do sistema de distribuição. Antes da Lei 14.300, quem gerava energia solar compensava a energia injetada de forma integral, inclusive essa parcela.

O que muda com a Lei 14.300 em 2026?

A Lei 14.300/2022, o marco legal da geração distribuída, criou uma transição em que a parcela do Fio B que deixa de ser compensada cresce a cada ano:

Ano Parcela do Fio B não compensada
2023 15%
2024 30%
2025 45%
2026 60%
2027 75%
2028 90%
2029 em diante Regra a definir pela ANEEL

Sistemas com acesso solicitado até 7 de janeiro de 2023 mantêm a regra antiga até 2045. A regra a partir de 2029 ainda não está definida, o que exige cautela em projeções de longo prazo.

Quem é mais afetado pelo Fio B?

O Fio B incide sobre a energia que vai para a rede e volta como crédito. O que é consumido na hora em que é gerado não é afetado. Por isso, o perfil de consumo decide o impacto:

Perfil Consumo simultâneo à geração Impacto do Fio B
Indústria em turno diurno Alto Baixo
Comércio, escritório, clínica Alto Baixo
Supermercado e câmaras frias Alto e contínuo Baixo
Condomínio (áreas comuns) Médio Médio
Geração remota (usina longe do consumo) Nenhum Alto

Como calcular se a usina solar ainda compensa?

  1. Energia autoconsumida na hora: vale a tarifa cheia evitada (TUSD + TE).
  2. Energia injetada e compensada depois: vale a tarifa cheia menos 60% do Fio B em 2026, 75% em 2027 e 90% em 2028.
  3. Some a economia anual das duas partes e desconte manutenção e seguro.
  4. Divida o investimento pela economia anual para obter o payback simples.
  5. Refaça o cálculo ano a ano até 2028, porque o desconto do Fio B cresce.

O valor do Fio B varia por distribuidora, por isso nenhum estudo sério usa um número nacional. O dado vem da resolução tarifária da sua concessionária, Light ou Enel Rio, no caso do Rio de Janeiro.

Solar, baterias ou mercado livre?

As opções vão conviver. O Decreto 13.097/2026 abre o mercado livre para consumidores comerciais e industriais de baixa tensão a partir de 25 de novembro de 2027, e para os demais a partir de 25 de novembro de 2028. A energia solar reduz a quantidade comprada; o mercado livre reduz o preço de quem compra. E um banco de baterias (BESS) pode guardar a energia solar do dia para o horário de ponta, reduzindo ainda mais a energia injetada na rede.

Checklist antes de investir em energia solar em 2026

  • 12 meses de contas de energia em mãos
  • Perfil horário de consumo (quanto se consome entre 8h e 17h)
  • Valor do Fio B da sua distribuidora
  • Telhado ou área avaliados por engenheiro, com laudo estrutural
  • Simulação ano a ano até 2028
  • Plano de manutenção da usina (limpeza, inspeção, termografia)

Perguntas frequentes

O Fio B acaba com a vantagem da energia solar?

Não. Ele reduz o ganho da energia injetada na rede. Quem consome no horário de geração continua com retorno alto.

Quem instalou antes de 2023 paga Fio B?

Não. Quem pediu acesso até 7 de janeiro de 2023 mantém a compensação integral até 2045.

Quanto do Fio B deixa de ser compensado em 2026?

60%. Sobe para 75% em 2027 e 90% em 2028, segundo a Lei 14.300.

O que acontece depois de 2028?

A regra a partir de 2029 ainda depende de definição da ANEEL.

Vale mais a pena solar ou mercado livre?

Depende do perfil. Solar reduz a energia comprada; mercado livre reduz o preço. Para muitas empresas, as duas se somam.